Inspira, expira #10
Edição comemorativa: O cu e as calças, falando francês errado, engajar cagando, etc
~inspira~
Sou uma pessoa raivosa, irada. Se você chegou aqui agora, agora vai perceber. Se você é das antigas, talvez já esteja de saco cheio, uma pena. Apenas 5% dos meus leitores me apoiam financeiramente. A eles eu ouço.
(Ouço, não necessariamente faço algo com isso, como numa sessão de mindfulness as palavras chega, eu as assimilo, e as deixo partir.)
Odeio ser assim, embora a raiva mova meu humor. Mas, de verdade, preferiria ser sem graça. Ainda mais (principalmente) precisando dar exemplo aos filhos.
Sempre digo que de todos os pecados, a ira é o que mais fala minha língua (adoraria falar que é a luxúria porque pega sexy e misteriosa, mas sou sincera e acho que luxúria está ali mais para baixo se considerarmos que preguiça e gula estão na corrida).
Todo esse pensamento surgiu porque:
Fiquei com raivinha do meu marido quando falou ao meu lado, nossa, quanta raiva! quando leu meu note raivoso sobre pessoas que procuram like no Substack.
~expira~
E por falar em raiva, da série palavras proibidas por aqui:
“Camadas” (a não ser que seja de bolo pois gula).
“É sobre” sem um sujeito.
“Tá tudo bem” querendo dizer não tem problema (“tudo bem” sozinho é aceitado, mas não amado. “Tá tudo certo” é igualmente abominado).
“Atravessamento”. Incondicionalmente.
Vou alimentando a lista com o tempo. Mais novidades você vê aqui.
~inspira~
Os cínicos também amam, mas vão questionar se:
o amor é recíproco
isso importa
~expira~
Se vocês tivessem ideia do meu nível de aceleração hoje e da minha capacidade de não terminar um pensamento e pular pro…
~inspira~
Um note do Raí Angelo com esta imagem abaixo virou sticker no meu whatsapp (inclusive, pensando bem, deve ser originalmente um sticker).
Se quiser também, me mande uma mensagem dizendo EU QUERO com: um ícone de coração amarelo, um de pipa, um de macaco tampando os olhos e uma bandeira da Eslovênia. Eu responderei com o sticker.
~expira~
Sempre que leio a palavra “aujourd’hui”, na minha cabeça, em vez de pronunciá-la “ojorrduí” eu, POR NENHUMA RAZÃO, pronuncio “ojorrdjuí”.
Da mesma forma, e dessa vez não apenas na minha cabeça, falo e sou zoada pela família: o número 4, em vez de pronunciar CATRE, eu pronuncio QUIATRE, também SEM NENHUMA RAZÃO.
~inspira~
Esses dias o Substack me jogou um texto do estilo que abomino, eu estava prestes a pedir pra não me mandar mais coisas dos gênero. Era sobre como aumentar seu número de seguidores na plataforma.
Abomino porque acho que é instagramização, tiktokação de um conceito que tenho em grande estima: textos longos e profundos (como este) por uma audiência que escolheu estar aqui por mais de um segundo. Mas achei o artigo muito sensato e compartilho para benefício geral, principalmente porque fala a seguinte frase: “O alcance está tão absurdo que eu acabei de entrar e to ganhando mais de 30 inscritos por dia falando sobre cocô.”
~expira~
Li em inglês e traduzo resumidamente porque acho importante em ano de eleição:
9 ações pela democracia:
1. Vote.
2. Verifique informações antes de repeti-las.
3. Não compartilhe artigos que você não leu apenas porque curtiu (ou não) o título.
4. Respire antes de responder com raiva. Melhor, não engaje.
5. Lembre que muitos grupos estão propositalmente nos alimentando à força informações tendenciosas e “sedutoras” a fim de nos manipular. Não seja uma marionete.
6. Leia artigos com visões opostas à sua.
7. Procure a versão original e integral de trechos de vídeos/textos que aparecem antes de chegar a qualquer conclusão.
8. Lembre que a maioria das pessoas com quem discordamos não são ruins, mesmo se acharmos que seu posicionamento é maléfico.
9. Aceite que tendemos a generalizar a partir de um único evento, independente de quão horrível o exemplo for.
Deixei esse ~expira~ pro final porque pensei que na metade da newsletter as pessoas iam perder o interesse e não ler o resto. Também porque é uma parte seriazinha do capítulo zuera da minha newsletter. Mas quis deixar aqui porque achei que merece. São ações simples que eu gostaria de ter abraçado no passado antes de brigar com pessoas queridas e desconhecidos, e talvez você também.
Não podemos parar de tentar fazer isso aqui (mundo) funcionar. De nada.



Tu és terrível, garotona.